Corte decidiu pelo afastamento do magistrado após reunião fechada com os integrantes do tribunal. Mais cedo, ele havia apresentado um atestado médico de 90 dias
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, na manhã desta terça-feira (10/2), afastar o ministro Marco Buzzi do cargo, após as denúncias de crimes sexuais. A decisão ocorreu após uma reunião fechada com os integrantes da Corte e um dia após uma nova acusação envolvendo o magistrado.
A decisão do pleno pelo afastamento cautelar foi unânime dentro de sindicância já instaurada na Corte. Os ministros devem decidir também se vão abrir outro procedimento para investigar a conduta do ministro.
Enquanto estiver afastado, Buzzi ficará impedido de usar o local de trabalho, veículo oficial e demais prerrogativas inerentes ao exercício da função.
Na semana passada, Buzzi foi acusado de tentar agarrar uma jovem de 18 anos, em uma praia de Balneário Camboriú (SC), em 9 de janeiro. Ele nega. O caso é investigado como importunação sexual. Em caso de condenação, a pena definida no Código Penal varia de 1 a 5 anos de reclusão.
A jovem de 18 anos — que acusa o ministro Marco Buzzi — depôs, na semana passada, no CNJ, por duas horas. A vítima registrou ocorrência na Polícia Civil de São Paulo. Ela e a família passavam uns dias na casa de praia do ministro. A moça relatou que estava no mar quando percebeu a aproximação dele e foi agarrada — e tentou se desvencilhar ao menos três vezes, mas Buzzi insistiu em forçar o contato. Quando conseguiu se soltar, pediu ajuda aos pais.
‘Ninguém piscava’: como foi a sessão do STJ que definiu o afastamento de Buzzi por assédio sexual
– A sessão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que definiu o afastamento do ministro Marco Buzzi de suas atividades teve clima tenso. Segundo relato de um dos integrantes da Corte, os ministros ficaram “calados e perplexos” enquanto o ministro Francisco Falcão relatava os fatos. O segundo caso de assédio levado ao conhecimento da Corte teria ocorrido dentro do próprio tribunal.
A reunião foi realizada nesta terça-feira, 10, a portas fechadas, devido ao sigilo imposto às acusações contra o ministro por crimes sexuais.
Junto com Antonio Carlos Ferreira e Raul Araújo, Falcão integra a comissão formada no tribunal para apurar as denúncias contra Buzzi em uma sindicância. Ao fim das investigações, se os fatos forem comprovados, o ministro poderá ser aposentado compulsoriamente.
Um ministro relatou que “ninguém piscava” e disse que foi “tão aterrorizante” que a votação pelo afastamento acabou sendo unânime. Não havia colega que defendesse Buzzi. Os fatos que motivaram a segunda denúncia contra o magistrado por assédio sexual ocorreram em 2024. A vítima é uma funcionária terceirizada que trabalhava no gabinete dele.
A primeira denúncia contra o ministro veio a público na semana passada. Ele teria tentado agarrar à força uma jovem de 18 anos. A mulher é filha de um casal de amigos e, com os pais, passava férias no imóvel do ministro localizado em Balneário Camboriú (SC).
O segundo caso foi incluído na sindicância contra o ministro que já estava aberta desde a semana passada no STJ. No dia 10 de março, o plenário voltará a se reunir, também a portas fechadas, para decidir se Buzzi será aposentado compulsoriamente. Nos bastidores, a tendência é que a punição seja aplicada.
O ministro também responde a dois procedimentos administrativos no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para apurar as acusações. A punição máxima a que ele está sujeito é a mesma. Ao mesmo tempo, Buzzi é investigado criminalmente pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e, se for condenado, pode ser preso.
Antes da sessão desta terça-feira, 10, no STJ, Buzzi havia pedido afastamento do cargo por 90 dias por motivos de saúde. Segundo a assessoria de imprensa do ministro, ele teria tido complicações cardíacas. Em mensagem enviada aos colegas, ele voltou a negar as acusações.


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